23 de novembro de 2009

Alimentos Transgênicos



Hoje fala-se bastante em alimentos provenientes de organismos transgênicos ou geneticamente modificados. Alguns países proíbem sua produção e uso nas indústrias, já outros acreditam ser a tecnologia necessária para acabar com a fome no mundo. Tentaremos esclarecer algumas dúvidas sobre esse tipo de alimento, assim como deixar questões para que o próprio leitor forme sua opinião.

O que são organismos transgênicos ou geneticamente modificados?

São organismos que tiveram seu material genético modificado pela introdução de fragmentos de DNA de outro(s) organismo(s). Esse pedaço de DNA corresponde a um gene que produzirá uma proteína, responsável pela característica desejada.

Como são conseguidos os organismos geneticamente modificados?

Primeiro é necessário localizar o gene desejado, depois corta-se o pedaço do DNA correspondente, com o uso de enzimas específicas. Faz-se cópias desse material que são adicionadas a vetores (vírus, bactérias). Esses vetores, ao infectar a célula, transmitem seu material genético, com o gene desejado, ao DNA da célula infectada, que é denominada célula transformada. O indivíduo gerado a partir dessa célula é chamado organismo transgênico ou geneticamente modificado (OGM).

Por que produzir OGMs?

As características procuradas são, geralmente, de melhoria na qualidade (cor, textura, tamanho), tempo de duração e elementos nutricionais de vegetais.

Pode-se também buscar elementos ligados à produção do alimento tais como: resistência a pragas (vírus, larvas de insetos) e resistência a herbicidas. Essas características tornam mais baratas e aumentam a produção das plantações.

Há também a possibilidade de produzir organismos que não causem alergias ou que não tenham substâncias antinutricionais (que atrapalham o uso de nutrientes pelo organismo), ou ainda, que produzam remédios e vacinas.

Riscos:

Os principais riscos dos alimentos transgênicos são ligados à saúde (alergia, resistência a antibióticos) e ao meio ambiente (redução da biodiversidade, contaminação de plantas silvestres, solo e lençóis freáticos).

  • Alergênicos:
Tanto a proteína gerada pelo gene inserido ao DNA do organismo quanto alguma outra substância produzida pela modificação no metabolismo do OGM, podem causar alergias. Um dos problemas citados é que entraremos em contato com substâncias novas, provenientes de organismos que não fazem parte de nosso cardápio, tais como alguns fungos e insetos.

  • Resistência a antibióticos:
Um dos riscos mais polêmicos. Alguns autores acreditam que o consumo de genes de resistência a antibióticos (utilizados na seleção das células modificadas) poderiam ser transmitidas às bactérias de nosso intestino ou às nossas próprias células. Até agora não se observou esse tipo de transmissão, um dos motivos para isso, deve ser, porque durante a fabricação do alimento e na própria digestão, o DNA é fragmentado, não podendo passar a característica.

  • Perigos ao meio ambiente:
Diminuição da população de insetos, devido a plantas resistentes a larvas, e ervas daninhas, pelo uso de herbicidas. Portanto redução da biodiversidade, além de se reduzir a quantidade de alimento para os animais consumidores desses seres vivos.

Pode ocorrer também a contaminação genética de plantas silvestres por transferência do genoma a partir de fecundação cruzada (entre espécies diferentes).

O solo e a água podem ser contaminados pelo uso excessivo de herbicidas, pois o uso freqüente dessa substância pode selecionar ervas daninhas resistentes a ela, sendo necessário, então, o uso de quantidades cada vez maiores. Ou pelas substâncias produzidas pelos vegetais modificados, como, por exemplo, inseticidas.

Rotulagem

Em alguns países é obrigatória a indicação da presença de OGMs no rótulo dos alimentos. Já em outros só é necessária a partir de uma determinada quantidade.

No Brasil, segundo lei editada pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é obrigatório que seja avisado no rótulo a presença de transgênicos quando em quantidade maior que 1% do alimento. O aviso deve vir em destaque, no painel principal, além do símbolo correspondente ( ). Deve constar dos ingredientes do produto de que organismo vem o gene inserido.

Conclusão

Até agora não tivemos motivos fortes para duvidar dos métodos de determinação da segurança dos organismos transgênicos. Porém, não devemos esquecer que esses alimentos estão a muito pouco tempo em nossa vida, ainda mais se comparamos com o tempo que a natureza leva para reagir a novas situações.

Ficam as seguintes questões:

Esses alimentos são realmente seguros para os seres humanos e animais?

A natureza está preparada para receber super organismos?

É realmente necessária a produção desse tipo de alimentos? Não haveria meios menos questionáveis?

Quem realmente ganha com esse tipo de produção?

Bibliografia:

Cavalli, Suzi Barletto. Segurança alimentar: a abordagem dos alimentos transgênicos. Rev. Nutr. [online]. 2001, vol. 14 supl., pp. 41-46. Disponível em: http://www.scielo.br, 10/09/2006

Lajolo, Franco Maria; Nutti, Marília Regini. Transgênicos: bases científicas da sua segurança. São Paulo; SBAN; 2003.

Organización Panamericana de la Salud. - Estado actual de los alimentos genéticamente modificados / Current status of genetically modified foods. Washington, D.C; Organización Panamericana de la Salud; 2005

Reye S., María Soledad e Rozowski N, Jaime. Alimentos transgênicos. Rev. chil. nutr.[online], abr. 2003, vol.30, n.1, p.21-26. Disponível em: http://www.scielo.br, 10/09/2006

Riechmann, Jorge. Cultivos e alimentos transgênicos: um guia crítico. Petrópolis; Vozes; 2002.

LMQ

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